Sobre o Projeto

Mauro Abreu de Camargo

Tudo começou quando eu ainda jovem, estudava administração de empresas na PUC, fazia estágio numa instituição financeira e representava produtos derivados de silicone, quando em 1993, acontece um acidente de percurso na família, a morte de meu cunhado. Ele era proprietário de um açougue tradicional na Rua Gen. Caldwell, Açougue do Neni, e frente a esse fato, e diante de meu sonho de ter um ponto comercial, resolvi assumir o comando do açougue.

No momento que decidi isso, não imaginava o que eu tinha por enfrenter pela frente. Eu, um guri de apartamento, nunca havia entrado em um açougue antes, por isso, me vi diante de inúmeras dificuldades, e de um grande desafio, dar continuidade a um negócio que já vinha dando certo há nove anos.

E foi assim o meu inicio, resolvi assumir o desafio e enfrentar as dificuldades, talvez ainda não tivesse caído a ficha da escolha que fiz, pois eu não tinha os conhecimentos mais básicos de um açougue e das atividades necessárias para o seu funcionamento. A partir desse momento, virei um açougueiro.

Eu necessitava aprender e entender o negócio, aproveitei os conhecimentos e experiência do açogueiro mais antigo para aprender todos os segredos e vícios do açougue, desde os cortes, o atendimento e até os custos. Durante essas experiências, passei por diversas situações inusitadas, que fizeram eu realmente aprender muito.

Um dia, próximo a minha formatura, já conhecido como açogueiro com experiência, fui convidado pela minha turma da faculdade, para a assar o churrasco do paraninfo. E com isso, surge a Cia do Churrasco, uma empresa de eventos, com o propósito de prestar serviço de churrasco em eventos sociais e empresariais.

Ao passar do tempo, senti a necessidade de melhorar o negócio, foi aí que pensei no que eu poderia fazer para ter melhores resultados. Então, busquei o auxilio do Sindicato de Comércio Varejista de Carnes Frescas do RGS (SICOCARNES), para entender mais as relações do ramo com o mercado.

Com essa aproximação, acabei me tornando o presidente em 1998, onde comecei a atuar mais intensivamente buscando melhorias para o setor, promovendo em parceria com o SEBRAE-RS o primeiro curso de capacitação gerencial para donos de açougue.

No ano de 2000, devido a visível necessidade de profissionalização do setor, busquei junto ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul auxilio para salvar o segmento de açougues, tendo em vista, uma forte tendência de desaparecermos do mercado. Foi neste momento que surgiu o Programa de Redes de Cooperação no Estado, nascendo então a Rede ChefCarnes de Açougues, na qual fui o presidente desde a fundação no período de 2000 a 2004.

Através do trabalho de criação, estruturação e divulgação das Redes de Cooperação, em 2003, comecei a fazer palestras para o SEBRAE-RS, e com esse desenvolvimento, acabei me tornando membro da equipe de facilitadores do Seminário EMPRETEC, Programa da ONU (Organização das Nações Unidas) aplicado no Brasil pelo SEBRAE.

Com as viagens realizadas em outros Estados do Brasil, aplicando treinamentos, verifiquei que as pessoas olham o gaucho como um sinônimo de churrasco e de bom conhecedor do assunto. E da mesma forma, quem vem de outros lugares para o nosso Estado, esperam encontrar maneiras de absorver e se envolver com a nossa cultura e principalmente com o churrasco, pois sabe que é um diferencial ser um bom churrasqueiro, pois será cobrado quando retornar a sua terra.

Durante minha vida obtive muitas vivências, experiências e conhecimentos sobre o tema. Identifiquei que muitas pessoas tem curiosidade e necessidade de conhecerem mais sobre o “ritual do churrasco”, com todos os seus segredos e detalhes, se apropriando da nossa cultura forte e que vem de geração em geração desde os nossos primórdios.

Foi com o objetivo de disseminar, desenvolver e qualificar os churrascos das pessoas, que criei o projeto Embaixador do Churrasco. O mesmo visa promover o churrasco através de cursos, serviços e produtos qualificados para o mercado nacional e internacional. Sempre respeitando as preferências individuais em relação ao churrasco, assim como os aspectos culturais e religiosos referente ao consumo de churrasco.

Outro ponto relevante do projeto é valorizar os sentidos (tato, audição, paladar, olfato e visão) através do ato de assar a carne. Fazendo do churrasco, uma arte, para ser apreciado com uma percepção mais apurada, como por exemplo, o que é feito pelos apreciadores dos vinhos.

O projeto Embaixador do Churrasco ainda conta com um aspecto social, no qual busca fazer do churrasco um meio de aproximação social. Uma vez que pode formar churrasqueiros, garçons e uma série de profissionais que podem fazer do churrasco uma fonte de renda e inserção social.

Atualmente, estou ministrando diversos cursos de churrasco nas principais cidades do Brasil. Nestes eventos descontraídos e divertidos são passadas dicas de como calcular a quantidade de carne; diferenciar os tipos de carne; modo de cortar; como salgar a carne; como temperar; como espetar; como fazer o fogo; o ato de assar; como degustar; dicas para servir. Criando desta forma multiplicadores destes conhecimentos e levando a cultura do churrasco para os mais diversos adoradores brasileiros.

 
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